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O Auxílio dos Filhos nas Atividades Domésticas

É inegável a dificuldade de se criar um filho nos tempos atuais. Seja pelo excesso de informações que conduzem o rebento por um caminho diverso do pretendido por seus pais, sejam pelas leis que caminham num sentido complicador para a criação, ou pela existência de um número cada vez maior de “profissionais” e “especialistas” que propagam ideias cada vez menos condizentes com o sentido de educação.
A verdade é que seguir um caminho “correto” é cada vez mais complexo. Até porque estamos inseridos em uma sociedade pseudo filosófica onde o parâmetro de certo ou errado se tornou tão fluido que já não se tem certeza a respeito de nada. Nesta de dança de sensos e contrassensos, estão os pais, tendo de aguentar os choros, as birras, a insensatez juvenil, tendo que se preocupar com o politicamente correto e suas implicações na individualidade familiar.

Há poucos meses eu fiz referência a Disciplina (vide post Disciplinar: Um ato de amor esquecido) onde questiono justamente como ela é vista por grande parte destes “profissionais” e “especialistas” como algo pejorativo e desumano. Um exemplo disto é de que as escolas (principalmente as públicas) já perderam quase que totalmente o caráter disciplinador. “Bons costumes” se tornaram algo tão abstrato e efêmero que saíram totalmente de qualquer cartilha sobre educação.
Mas o que nós, pais, familiares, amigos de pais, podemos fazer para reconduzir a criação ao rumo minimamente aceitável dentro de uma cartilha de entendimento do senso comum?
Uma das vertentes da disciplina é justamente a da distribuição de responsabilidades. A corrente “vitimista” acabou por colocar a criança e o adolescente como um ser que beira a irracionalidade. Elas, hoje, são vistas de uma forma tão absurdamente desprovida de deveres e, mais absurdamente ainda, dotada de direitos que o equiparam-nos aos demais casos de incapacidade contemplados por nosso ordenamento jurídico. Traduzindo, as pessoas que legislam e militam em prol do excesso de direitos e abominação dos deveres pela criança e adolescente, em um nível prático, tratam-nas como seres com deficiência mental (odeio este termo, mas acho que torna um pouco mais clara a comparação). Estas pessoas agem como se as crianças e adolescentes fossem completamente desprovidas da mínima capacidade de entendimento da realidade, do certo ou errado, do bem e do mal. Isto é um engodo! Uma falácia! Quem conhece uma criança, quem convive com uma criança, sabe que, mesmo que em diferentes graus, ela sabe exatamente o que é certo ou errado. A complexidade jurídica que envolve cada ato é óbvio que não, assim como um sem número de adultos também não sabem, mas a simples conceituação de “certo” e “errado” existe sim na mente primitiva de uma criança, ainda que de forma instintiva. O adolescente nem se fala.
Mas retornando à distribuição de responsabilidade, dentro da casa da família cada um pode atuar de forma efetiva para que isto ocorra. O Código Civil de 2002 traz em seu Artigo 1.634 as formas de como se representa o Exercício do Poder Familiar (poder dos pais sobre os filhos menores de 18 anos). O inciso I é bem direto em relação ao dever dos pais em criar e educar os filhos. Logo, a consciência social de que quem presta educação às crianças é a escola é não somente impertinente como ilegal. No último inciso do referido artigo, a lei nos traz que umas das formas de exercício do poder familiar é justamente “exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição”.
Ora, quando recorremos ao pai dos burros (os mais antigos entenderão) vemos que o conceito de disciplina é justamente o de “1. obediência às regras, aos superiores, a regulamentos”. Como podemos aceitar que existam pessoas que sejam contrárias ou que não prezem pela disciplina no âmbito familiar? Notem que o conceito aborda, inclusive, obediência à regulamentos. No exato momento em que agimos contrário ao Código Civil, de forma ilegal, não exigindo obediência dos nossos filhos e, logicamente, criando seres indisciplinados, estamos nós, não cumpridores de tal dever, formando pessoas que não obedecerão aos regulamentos. Logo, estamos nós criando criminosos! Disto podemos entender que o criminoso não é uma vítima social, mas sim um fruto de uma leniência familiar e de uma escolha pessoal, pautada na falta de disciplina que lhe foi negada no seio familiar, mais precisamente, pelos pais.
Traduzindo, o criminoso nunca foi e nunca será uma vítima social. Quando o for, será agente de um furto famélico, ou seja, aquele que rouba para comer ou para se agasalhar do frio, e não um traficante, um assaltante, um homicida ou um estuprador.
Mas é preciso relembrar que disciplina, como já disse em outras ocasiões, não se traduz por agressões físicas e verbais. Traduz-se sim por repreensão de atitudes equivocadas e incentivar as atitudes corretas, além da divisão de responsabilidade, que nada mais é do que atribuição de tarefas.
Porque não incentivar seu filho a varrer a casa? Sua resposta vai ser porque ele é criança ou porque deveria estar estudando? São respostas levianas. Seu filho pode muito bem estudar e varrer a casa. Ele pode sim ajudar com a louça, ajudar a limpar o quintal, cuidar dos animais domésticos, entre várias outras atividades cotidianas que acabam por recair sobre os ombros das mães e dos pais. Esqueçam os “profissionais” e “especialistas” que dizem o contrário. Aulas de música, balé, lutas, inglês são importantíssimas, pois auxiliam na formação pessoal da criança e do adolescente. Mas as tarefas domésticas não devem jamais ser colocadas em segundo plano. Elas fazem parte da formação do cidadão, da aquisição do senso de responsabilidade e disciplina, além de serem importante instrumento de reforço de autoridade dos pais. Sim, os pais devem primar para o reforço da sua autoridade dentro da unidade familiar de forma que os filhos compreendam a obrigação de lhes ser obedientes.
Vamos aos poucos acabar com esta ideia de que crianças e adolescentes não tem deveres. Chega desta ideia de que seu filho só tem obrigação de estudar e brincar. Eles têm a obrigação também de aprender e contribuir para a casa. Não estou falando de exploração infantil. Estou falando de tarefas domésticas que auxiliem os pais e contribuam para sua formação. Lugar de criança não é limpando casa o dia inteiro. Mas é sim auxiliando a limpar a casa junto aos pais. Lugar de criança não é atrás de um computador o dia inteiro ou de um smartphone. Não é na rua sendo influenciado pelos amigos a consumirem drogas e muito menos vendo pornografia ou mandando fotos íntimas para estranhos na internet. São com essas coisas que os “profissionais” e “especialistas” deveriam de fato se preocupar e não com a vassoura na mão da criança para ajudar sua mãe.
Se você quer ser um bom pai ou uma boa mãe, coloque seu filho na melhor escola que puder, coloque no máximo de atividades extraclasses que conseguir (inglês, futebol, dança, teatro, etc), dê a ele computador de última geração, vídeo game, smartphone top de linha.

Mas se quiser ser um excelente pai ou mãe e deixar ao mundo verdadeiros cidadãos e futuros pais e mães de família, além de tudo acima, cobre deles à disciplina. Pois para ser bom para uma pessoa é fácil, basta fazer aquilo que ela quer. Mas para ser necessário a alguém, por vezes é preciso fazer o contrário do que a pessoa deseja. Aprender não é somente cheirar às pétalas, mas também se furar com os espinhos. 

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